#AmorSimRussomanoNÂO

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#AmorSimRussomanoNÃO

#euvou

Não  vejo como um festival, sem desmerecer a presença, performances e esforços dos artistas. É apartidário, mesmo sabendo que uma boa parte dos que articularam o evento tem o seu voto declarado (logo, se fizerem campanha a favor de seu candidato, partido ou qualquer coisa serão automaticamente traidores da própria palavra indo também contra pessoas que não gostam de ser enganadas e que mesmo começando com receio, aderiram a causa, acreditando no potencial das intenções originais). Vejo como uma manifestação, que pode – e já tá mudando – o curso da nossa história. O Facebook tentou censurar, mas já éramos muitos pra sermos ignorados, discussões e debates tem rolado desde então, fazendo até o mais preguiçoso pensar sobre o assunto. Pensar, debater, sugerir,  ir atrás, se posicionar tem que estar constantemente em prática pra tudo evoluir. Essa é a hora das diferenças serem superadas, estamos no limite da barbárie. Depois de um Kassab que chegou sem pedir licença e ficou por aí arrastando, esse ordinário  de 5ª ex-apresentador  de TELEVISÃO aliado a nefasta máfia da cultura religiosa que faz campanha com uma  ex-assistente da banheira do Gugu a tira-colo é QUASE o novo prefeito de São Paulo. NÃO. Ninguém me perguntou se eu aceitaria Russomano como candidato, isso não existe (ainda – quem sabe), mas eu digo NÃO.  Muitas grandes cidades de grandes países vão pras ruas em peso manifestar sua oposição às atrocidades que são submetidas, atrapalhando os planos de quem está acima de nós na lei e é isso o que devemos fazer. Virar notícia, mostrar que não aceitamos, que podemos nos unir e que estamos VIVOS.  A pouco tempo gente de todo mundo e rolê aderiu a causa das Pussy Riot. LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Que o Putin de lá é horrível, todos sabem, que podem haver diferenças de idéias, ideologias, convicções e políticas entre qualquer um dentro da ação e da causa, ninguém questionou. A ponto era: LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Ali deu pra sentir muito bem o poder de união das vozes. Vamo pra rua, sem diferenças, sem partidos, sem ego. Só o melhor pra todos, há grandes indícios de AMOR. De rosa, de preto, neon ou pelado (mas cuidado). De rosa é legal. Vamo deixar claro pra quem quer que venha que não aceitaremos qualquer coisa. E RUSSOMANO  – NÃO!

Gente que faz!

O direito à comunicação garante a liberdade de expressão com diversidade e pluralidade sem o viés econômico, assim a democracia chegará à mídia e não haverá privilégio na difusão das ideias.

O esquema de distribuição da Globo me deixou enojado, disse o ator Caio Blat

O ator Caio Blat esteve em Suzano em um evento promovido pela prefeitura durante o qual participou de uma roda de conversa com a juventude e contou um pouco da sua trajetória de vida, a experiência no teatro, cinema e televisão.

Sua premiada carreira começou precocemente, primeiro fez comerciais de publicidade aos 8 anos, depois atuou em novelas, só então chegou ao teatro. Quanto aos estudos, preferiu fazer faculdade de direito ao invés de artes cênicas, pois a intenção era a de ampliar sua cultura e conhecimento. Entrou na USP, mas não concluiu o curso.

Cinema não chega aos pobres
Quando foi fazer o filme Bróder morou por um tempo no bairro de Capão Redondo em São Paulo, foi lá que percebeu que o cinema não chega até as pessoas da periferia, o público que atinge é restrito, o motivo a seu ver é porque não existem salas disponíveis nestes lugares, o ingresso é caro e o filme brasileiro fica uma semana em cartaz e sai para dar lugar aos filmes da indústria americana.

Esquema para fazer sucesso
Ele foi produtor de seus últimos filmes, por isso descobriu qual era o esquema da distribuição, e Caio indignado disse “é uma coisa que me deixou enojado, me deixou horrorizado”.

“No cinema a distribuição é predatória, ainda é um monopólio”, disse Caio, “são pouquíssimas empresas distribuidoras e o que elas fazem é absolutamente cruel, elas sugam os filmes, não fazem crescer, sugam para elas, são grandes corporações”.

Ele disse, “ia ao Vídeo Show, no programa do Serginho Groisman e outros. Achava que era um processo natural de divulgação, foi quando descobri que estas coisas são pagas. Quando vou ao programa  do Jô fazer uma entrevista isso é considerado merchandising, não é jornalismo”.

A Globo faz estas ações de merchandising, inclusive em novelas, e fatura para a Globo Filmes. Comenta Caio, “Ela cobra dela mesma”. Ele notou que este é uma espécie de “kit” para que o filme aconteça e seja exibido em dezenas de salas em todo o Brasil. Se por acaso os produtores não aceitarem esta imposição, a Globo não levará ao ar nada do filme em nenhum de seus veículos, nem no eletrônico, nem no impresso,  Caio completa, “Se não fechar com a Globo Filmes, seu filme morreu”

No contrato de distribuição, Caio detalha, fica estabelecido que o primeiro dinheiro a entrar da bilheteria do filme é para pagar a Globo Filmes, “É um adiantamento que estamos fazendo. Olha o que eles estão dizendo! Adiantamento fez quem realizou o filme, investiu muito antes”. Ele pergunta, “O que a Globo faz? Quanto ela gastou para fazer este “investimento”? Nada. O programa deles tem que acontecer todos os dias, eles precisam de gente para ser entrevistada, finaliza sobre este tema.

Jornalismo que é propaganda disfarçada
Sem contar o lado ético, que no capitalismo é apenas retórica, chega-se a primeira conclusão que tudo que é exibido na televisão, uma concessão pública, é propaganda, ora em formato de comercial, ora como merchandising, isto é, dentro do programa e até em estilo jornalístico. Outra conclusão é que a TV gera lucro em outros negócios para seus concessionários que nada tem a ver com a atividade fim da concessão.

Lei limita propaganda
Nas leis, que completam 50 anos, de números 52.795/63, art.67 e 88.067/63, art.1, art 28, 12, D, está escrito o seguinte: Limitar ao máximo de 25% (vinte e cinco por cento) do horário da sua programação diária o tempo destinado à publicidade comercial. Pelo visto, ela claramente não é cumprida na programação que vai ao ar.
Existem também canais que passam promoção de vendas o tempo, neste caso, além da lei citada, também deixam de cumprir o princípio constitucional : Art. 221 – A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:  I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas.
Tudo leva a crer que estas questões são graves o suficiente para suspensão das outorgas das emissoras infratoras.

Por isso, e por muitas outras coisas, é preciso que este tema da democracia da mídia seja discutido no país e o Marco Regulatório da Comunicação, após ampla consulta pública, encaminhado o mais rapidamente ao Congresso, sem o qual a Liberdade de Expressão com diversidade e pluralidade continuará seriamente prejudicada.

Assista ao vídeo do bate papo, a questão da mídia começa a ser colocada com 12’53”

Créditos: Victor Zacharias, http://democracianamidia.blogspot.com.br